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Pesquisa sobre o mercado mundial de Mogno Africano na atualidade

Segue abaixo uma pequena pesquisa que sem pretensão de precisão, e mais como um olhar generalizado e intuitivo sobre o mercado mundial de mogno africano. O Ricardo, presidente da ABPMA, pediu a um amigo que lida com mercado madeireiro e florestas na Europa e África, que respondesse algumas perguntas que elaboramos.

  • Quais os principais países produtores de Khaya ivorensis?  De onde provem o mogno serrado ou em tora comprado pelas distribuidoras européias?  

O Khaya ivorensis provem da África da Oeste (Cote d’ivoire, Ghana, Liberia …) mas também encontra-se na África Central,  na República Democrática du Congo (ex- Belga),  Republique du Congo (ex- Frances), Camarões e Gabão. Não tem plantações de mogno ainda e a produção provem da exploração das florestas naturais. Quer dizer que para as empresas européias presentes na África é difícil desenvolver o Khaya, já que esta espécie não é muito abundante nas florestas nativas da África Central e que na África do Oeste, quase não tem mais florestas e nem plantações.  A maioria das exportações provem da África Central.

  • Quais as principais utilidades do mogno serrado aqui na Europa?

O mercado principal do Mogno é Inglaterra e Estados Unidos em substituição do swietenia macrophylla. Não á tão utilizado na França, mas é conhecido. Acredito que a grande atração do Khaya provem do mercado anglo-saxão. As utilidades são: marcenaria e carpintaria. (não é para construção )

  • Qual preços CIF e FOB desta Madeira serrada e em tora?

Na maioria dos países africanos, a exportação das toras é proibida. Esta medida foi tomada para promover o processamento local. A exportação é totalmente proibida em Camarões, Costa do Marfim, Gabão e num futuro próximo será também proibida nos outros países.  Nos poucos países onde ainda tem exportação de toras, a malha logística não permite desenvolver muito esse tipo de exportação. O preço da Madeira serrada está entre 550 Euros/ m3 e 700 Euros/ m3 FOB . Acho que estes preços não representam o potencial do produto, já que o mercado não foi muito trabalhado. Porém é muito abaixo dos preços que vocês nos mostraram.

  • Quais as dimensões de Madeira mais compradas? (Largura, comprimento, altura)

Espessor 26 – 52 cm e comprimento standard

  • Tem interesse em desenvolverem novos clientes.

As pessoas que contatei são da África. Parece que o mercado principal não é a Franca. Porém Khaya é claramente uma espécie interessante do ponto de vista comercial pela sua semelhança com Swietenia. A situação difícil da África explica porque as empresas africanas de origem européia do setor madeireiro não fazem esforços para desenvolver o produto.

  • Se acham que o mercado de mogno poderia ser mais ofertado? Ter mais matéria prima para comprar?

Para desenvolver esse mercado, mais matéria prima é necessária. Hoje as empresas respondem à demanda sem estratégia comercial.

  •  Conclusão geral:

O Mogno (Khaya ivorensis) é uma espécie muito interessante, particularmente para o mercado americano. Encontrei na Colômbia um investidor que está semeando Caoba ( a versão Swietenia). Ele me assegurou que o mercado americano está procurando por tudo quanto é lado Mahogany.  A sua previsão de preços em 10-15 anos fica muito acima dos preços atuais para madeira serrada.  Porém os preços que vocês indicaram não são os preços constatados no mercado atual.

INVENTÁRIO FLORESTAL EM PLANTIOS DE MOGNO AFRICANO

INVENTÁRIO FLORESTAL EM PLANTIOS DE MOGNO AFRICANO

Antonio Carlos Ferraz Filho (Doutorando em Engenharia Florestal, UFLA); Andressa Ribeiro (Mestra em Engenharia Florestal, UFPR)

acferrazfilho@gmail.com; andressa.florestal@gmail.com

O mogno africano, cujo nome cientifico é Khaya ivorensis A. Chev é uma árvore de origem africana pertencente à família botânica Meliaceae, mesma família do mogno brasileiro, da andiroba e do cedro. Portanto, possui madeira nobre de grande potencial econômico para comercialização, podendo ser empregada na indústria moveleira, naval, para fins de acabamento superficial em construção civil, entre outros.

No Brasil, a espécie teve seus primeiros plantios na região norte. Segundo Castro et al. (2008), em sistemas silvipastoris no Pará o mogno africano podem alcançar altura de fuste de 12 metros e diâmetro a altura do peito (DAP) de 22 centímetros aos 7 anos de idade. Segundo Falesi e Galeão (2002 apud. Silva 2010), em reflorestamento no Pará o mogno africano apresentou média de altura total de 8,5 m e de DAP de 15,5 cm aos 5 anos e 8 meses, e média de altura total de 9,2 m e DAP de 17,3 cm aos 6 anos e 4 meses.

Sabe-se que a prática de inventário florestal, aliada as remedições periódicas, é altamente valiosa para um bom planejamento de atividades silviculturais e de manejo, tais como adequação de adubação, época de desbaste e colheita, otimização dos produtos florestais, e, consequentemente a maximização da renda do projeto. Dessa forma, desde 2009 diferentes plantios de mogno africano instalados no Estado de Minas Gerais, estão sendo monitorados por engenheiros florestais e resultados positivos podem ser observados.

Inventário Florestal

O inventário florestal pode ser definido como a técnica da mensuração de árvores e talhões, utilizando fundamentos da teoria de amostragem para a determinação ou estimativa de características qualitativas e quantitativas da floresta. Dentre as características quantitativas pode-se citar: volume, sortimentos, área basal, altura, diâmetro, etc; e dentre as qualitativas pode-se citar: vitalidade das árvores, qualidade do fuste, tendência de valorização, etc (Scolforo e Mello, 2006).

As parcelas permanentes, ou seja, unidades amostrais demarcadas e observadas de forma contínua visam conhecer o comportamento das espécies florestais e seus processos dinâmicos de crescimento, mortalidade e recrutamento ao longo do tempo; foram instaladas nos diferentes plantios conforme Figura 1.

Figura 1. Esquema representativo de demarcação e medição de unidade amostral (retangular e circular) nos diferentes plantios.

Após a delimitação das parcelas, coletam-se os dados de algumas alturas e de todas as circunferências à 1,30 metros do solo ou a altura do peito (CAP) das árvores contidas nas parcelas (Figura 2). A cubagem rigorosa em pé é feita em alguns indivíduos das parcelas, a fim de se elaborar uma equação de volume específica para o plantio. Tal método é uma forma direta de estimação do volume das árvores, sendo bastante utilizado na rotina de inventários florestais, consistindo na medição sucessiva de circunferências ao longo do tronco em diferentes seções para posterior cálculo do volume real da árvore utilizando equações matemáticas específicas (Figura 3).

Figura 2. Marcação e medição do CAP e altura, detalhe para o hipsômetro utilizado para medição acurada das alturas (Vertex III).

 

Figura 3. Demarcação das alturas onde foram feitas as medições das circunferências para a cubagem rigorosa das árvores em pé.

Portanto, após sucessivas remedições utilizando tais técnicas apresentadas acima, gráficos de crescimento ao longo dos anos para diâmentro e altura são apresentados abaixo para os diferentes plantios monitorados pelos autores.

Figura 4. Gráficos de crescimento ao longo dos anos de medição dos plantios de mogno africano para as principais variáveis dendrométricas.

O crescimento florestal observado nos plantios é bastante elevado, com expressivos incrementos ocorrendo nas variáveis dendrométricas observadas. Abaixo estão apresentadas tabelas comparativas entre os plantios da região de Pirapora, Piumhi e São Roque de Minas nos diferentes anos de medição (M).

Tabela 1. Valores médios para as principais variáveis avaliadas nos diferentes plantios inventariados.

 

 

Pirapora

Variável

M1

M2

M3

Idade (anos)

1,3

2,2

3,3

DAP (cm)

4,8

9,6

13,3

Altura total média (m)

3,2

6,7

10,7

Altura de fuste (m)

2,4

6,0

Área basal (m2/ha)

0,541

2,126

4,078

Volume (m3/ha)

1,052

6,548

22,006

Piumhi

São Roque

M1

M2

M3

M1

M2

Idade (anos)

1,25

2,27

3

1,06

1,9

DAP (cm)

4,7

9,9

13,3

2

5,5

Altura total média (m)

3,2

6,7

9,4

1,9

3,8

Altura de fuste (m)

2,9

4,8

0,3

1

Área basal (m2/ha)

0,491

2,238

3,961

0,087

0,657

Volume (m3/ha)

1,39

9,92

19,064

0,281

2,029

 

Quando comparado os valores de DAP e altura de mogno africano com a espécie mais plantada no Brasil, o eucalipto, o qual possui um DAP médio de 21 cm e altura média de 18 m aos 3 anos de idade (Nutto et al.,2006); constata-se altos valores das variáveis para a espécie em questão. Podendo então, ser classificada em uma espécie de média a alta produtividade.

Um estudo sobre as florestas brasileiras, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), indicou que o crescimento da economia do país e o andamento dos programas de infraestrutura têm aquecido o mercado para madeira, com uma demanda prevista de 21 milhões de metros cúbicos. Portanto, plantações bem manejadas e que contribuam para restaurar os ecossistemas, desempenharão um papel cada vez mais relevante. Assim, a aposta nos plantios de mogno africano para atender tal demanda e o acompanhamento do crescimento da floresta por profissionais, se tornam aliados para garantia do sucesso do empreendimento florestal.

Referências Bibliográficas

CASTRO, A.C.; et al. Sistema silvipastoril na Amazônia: ferramenta para elevar o desempenho produtivo de búfalos. Ciência Rural, v.38, n.8, 2008.

NUTTO, L.; SPATHELF, P.; SELING, I. Management of individual tree diameter growth and implications for pruning for Brazilian Eucalyptus grandis Hill ex Maiden.Revista Floresta, v. 36, n. 3. 2006.

SCOLFORO, J. R. S. e MELLO, J. M. Inventário Florestal. Lavras: UFLA/FAEPE, 561 p. 2006.

 

SILVA, B.T.B. Avaliação da usinagem e caracterização das propriedades físicas da madeira de mogno africano (Khaya ivorensis A. Chev.). Monografia de conclusão de curso em Engenharia Florestal. UFFRJ, Seropédica, 2010.

 

Lista de email dos associados

LISTA DE EMAILS DOS ASSOCIADOS:

Atlântica Agropecuária Ltda / Pirapora – MG
contato: João Emílio – joaoemilio@atlanticaagropecuaria.com.br /
contato: Renan – renan.alves@atlanticaagropecuaria.com.br

Fazenda África / Prata – MG
contato: Augusto Cury – Ivan I. Cruz – instituto.academia@uol.com.br

Fazenda Bom Jesus – Araçuaí – MG
contato: Renato Collares – rcollares@uol.com.br

Fazenda Serra Branca / Prata – MG
contato: Augusto Cury – Ivan I. Cruz – instituto.academia@uol.com.br

Fazenda Três Corações / Ponte Nova – MG
contato: Maria Fernandes – mary@veloxmail.com.br

Florestas da Canastra / Piumhi – MG
contato: Marcos Saores Rezende- marcostote@oi.com.br

Germinar Brasil Agro – Florestal e Empreendimentos Ltda / Várzea da Palma – MG
contato: Camila, Carla ou Marina- fazendacocoverde@hotmail.com

Mamoneira Agropastoril S/A / Natalândia – MG –
contato: Salomão Teixeira- salomaofilho@tangarafoods.com.br

Meta Agropecuária S/A- Nova Porteirinha – MG
contato: Mauricio Araújo – mauricioaraujo@norteline.com.br

Mudas Nobres / Goiânia – GO
contato: Canrobert – sac@mudasnobre.com.br

Ouro Verde Agronegócio e Empreendimentos Ltda
contato: Flávio Basílio – flaviobasilio@gmail.com
contato: Ricardo Mezonato – mezonato@me.com

Primavera Agronegócios Ltda / Capelinha – MG
contato: Marcos Saores Rezende- marcostote@oi.com.br

Professor Ítalo Falesi consultor e diretor da ABPMA/ Embrapa – Pará
contato: Italo Falesi – falesi@hotmail.com

Terra Viva Reflorestamento e Comércio de Madeiras Ltda / Estiva Gerbi – SP
contato: Marcelo Finazzi Gerbi- marcelo@agrooceanica.com.br

Fazenda Esplanada do Cochá / Montalvânia – MG
contato: Nelson Proença de Gouvea Neto – ngouvea@terra.com.br

Fazenda São Joaquim / Taquaraçu de Minas – MG
contato: Nelson Proença de Gouvea Neto – ngouvea@terra.com.br

Fazenda Ouro Verde Reflorestamento de Madeiras Nobres / Lassance – MG
contato: Samuel Reis de Oliveira Araújo – samuelreis@ouroverdereflorestamento.com.br

250 Agropecuária Ltda / Resende Costa – MG
contato: Fernando – fernando@brbrokers.com.br

Fazenda Golden Hill / Januária – MG
contato: José Henrique – josehenrique@montemec.com

Fazenda Presidente / Boa Esperança – ES
contato: Luzia Neves – luzia.dneves@gmail.com

Campo Alegre e Guadalupe
contato: Pedro Costa – pedrocostafilho@uol.com.br

Sítio Sucupira / Valença – BA  _  Chácara Pitanga / Linhares – ES
contato: Gilberto Terra – gilbertoterra@gmail.com

Fazenda Pioneira 1 / Buritizeiro – MG
contato: Darci Petkov – darcipetkov@hotmail.com

Fazenda Pioneira 2 / São João do Itaperiú – SC
contato: Joerberth Petkov – jp@locacoesmaster.com.br