O mogno

o-mognoEm meados do séc XVI a Europa já se valia do uso do Mogno (Swietenia) proveniente das Américas, em especial da Jamaica, Honduras, Cuba, São Domingos e Antilhas. Sua madeira de cor avermelhada, sua combinação de densidade média e facilidade para ser trabalhada fizeram dela uma Madeira ideal para a fabricação de móveis e para o uso na construção, como portas, janelas e pisos.

O uso constante da Madeira fez com que sua importação fosse para além das Américas, passando a Europa a importar o Mogno também dos países africanos, como Senegal, Guiné, Uganda e Costa do Marfim. O mogno deste último era conhecido como Mogno de Bassam, cidade por onde era exportado, e foi posteriormente classificado como Khaya Ivorensis.

A grande aceitação da Madeira e o seu uso intenso nas últimas décadas levou a escassez da sua oferta no mercado e a inclusão das espécies de mogno das Américas (Swietenia) na lista da CITES, como espécie ameaçada (convenção internacional sobre o comércio das espécies de fauna e flora selvagens ameaçadas de extinção) e grandes produtores como Cuba (anos 50) e Brasil (anos 2000) restringiram seu uso, proibindo (Brasil) seu corte e transporte.

Não só o Mogno, mas diversas espécies encontram-se ameaçadas pela pressão constante que pesa sobre as florestas nativas, principais fontes de madeiras nobres para a indústria moveleira e para a construção civil. O crescimento populacional, a urbanização e o aumento constante dos padrões de consumo fazem com que o uso da madeira se intensifique cada vez mais, sem que ocorra em paralelo, ações para garantir o suprimento futuro desta matéria prima. A escassez de madeiras já é hoje uma realidade.

No Brasil, graças a iniciativa de pesquisadores e empreendedores, em sua grande maioria membros da ABPMA, ao longo das últimas décadas e em especial nos últimos anos, se viabilizou o cultivo comercial da Khaya Ivorensis. O Mogno Africano, enquanto madeira nobre para substituição do Mogno Brasileiro (Swietenia) não sofre as restrições de corte e comercialização que pesam sobre a espécie nativa.

O mogno africano, Khaya Ivorensis, possui características físicas que muito se assemelham ao mogno brasileiro, seja sua densidade, dureza da madeira, retratibilidade e seu comportamento frente a variações de umidade, associado a resistência a pragas, em especial a Broca de Ponteiro.

O cultivo do mogno africano mostra-se como alternativa para o suprimento de madeira nobre para a indústria da madeira processada mecanicamente. Sua Madeira atende a uma grande gama de usos que englobam a fabricação de moveis, pisos, portas, janelas, laminados, instrumentos musicais e molduras, dentre outros, aliando rentabilidade ao produtor e redução da pressão sobre as florestas nativas.

Texto de autoria de Leandro da Silva Pereira – consultor e associado